24 de jan. de 2010

Notre intimité
est lumière,
chaleur
et liberté.
Todas as cores de todos os olhares do mundo fazem da atmosfera um manto de sonhos e fantasias possíveis.
Praticando o ato divertido e audacioso de ter fé nos ossos fortes, no coração radiante e na mente sábia... seguimos em frente e em todas as direções que não levam ao retrocesso.
Purpurinas e confetes caem do céu!
Optimun of the life
and the art
it is to be creative,
renewed
and colored
to each new dawn.



Quis escrever um poema, uma poesia ou ingênua carta para a pluma branca que planava além do vidro de sua janela.


Arranjara razões poéticas, hipotéticas, para justificar seu desejo de se lembrar dos detalhes da pluma.


Era leve, ausente de dispensáveis asas e repleta de movimento. Sabia voar sendo ela mesma, pluma branca, perdia-se no rumo. Era osmose com o ar, com o universo que a rodeava. Conectada. Sonho vibrante dos que tem febril esperança.


A pluma era bela, molhava-se em sereno quando a noite caía e passava os dias ao sol para secar a leveza que continha. Mergulhava em vôo de aromas no pôr-do-sol, saudava a chegada da lua.


Era branca, repleta de azul de céu. Era amor, aquele que expulsa a alma para o externo e nos faz iluminar o que já é cheio de luz.


Rodopiava de repente com a imperceptível brisa que, de tão leve, só existia por seu movimento cúmplice, uma dança entre ela e o invisível.


Por vezes quietava-se na tempestade não por temor, sábia que era, mas por manter-se no tempo aberto quando suas forças já não bastavam, equilíbrio de si.


A pluma naquela janela inundava meu sangue até correr por todo meu corpo despertando feitiços de flores, encantos mistos, olhares fixos. Eu a observava flutuar como o inevitável respirar do mundo, presa por delicada e serena presença.


De onde surgira aquele ponto branco? Será que bate sutil como si mesma ao vidro e, de tão calma batida, não a posso ouvir?


Será que quer entrar?


Abro a janela. A pluma continua ao vento e meu coração tenta mostrar o tom de sua voz, ansioso sem saber o que o vento trará.


Eu observo em paciente expectativa. Rezo. A pluma flutua. A janela está aberta. A brisa desliza.


Qual o rumo dos ventos?


Convido a pluma a entrar e confesso assim que dela preciso.


Eu, rochosa fortaleza que quer desmoronar pelo simples toque daquela delicada presença.


Ela indecisa ainda plana. É mesmo assim, é o ritmo pelo qual se acostumou. Plumas dançam nos ventos, não entram por janelas. Descrente. Por que será?


Ela indecisa, eu corajosa enfrento a ordem dos ventos, refaço, escolho a ordem que sigo. Assopro. Ajudo o destino... Construo o destino. Um forte sopro na pluma em minha direção. Ela entra, lambe meus dedos, repousa onde os ventos são suaves.


E eu, imóvel, mantenho as mãos no parapeito da janela para que ela voe enquanto há sol, e repouse quando o sereno noturno chegar.

21 de jan. de 2010

Tomar as decisões bebendo um café amargo e forte naquela livraria conhecida onde o garçom já sabe o pedido e manter as conclusões dançando e bebendo e esfumaçando o cérebro de lógicas e sobriedade.
Escolher os caminhos na solidão daquele quarto e dividir com os amigos poéticos a força de ir em frente, bailando aquela música, cantando aquela letra, sentando ao meio fio e rodando...rodando...
A bebida não esquenta mais.
Abrir a janela para a chuva entrar, ligar o ar condicionado, o ventilador sopra para cima... tudo junto, sem toalha.
Fluxo inconstante e criativo, elétrico e reluzente, banho frio, gente, paciente dela.
Louca, linda e longe.
Estação Central de trem de Berlim. O maior teto de vidro sobre uma linha férrea e um dos maiores do mundo.
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Impetuosa... foi o que ouvi antes mesmo do primeiro café do dia. Ouvi, usei o máximo dos "ãhã's" que a aceitação me permitia, ouvi mais algumas reclamações de uma voz do outro lado da linha e da rua e desliguei. Procurei no dicionário o significado exato dessa palavra. Li, reli, busquei outras fontes, vi "impetuosidade", vi aplicações em frases e achei forte demais para mim. Pensei em algumas atitudes erradas... concordei com o adjetivo naquelas situações específicas, concordei do fundo da minha sinceridade cortante e impetuosa (piada sarcástica comigo mesma), mas daí a ser classificada como impetuosa? Vamos refletir juntos.
Somos classificados e classificamos as pessoas o tempo todo a partir de atitudes que os outros tomam e que nos tocam, seja por bem ou por mal. Aquela palavra amena quando se precisa ouví-la: fulano é doce. Aquela palavra dura quando alguém perdeu o limite: fulano é duro. Aquele murmuro quando se perde alguém: fulano é sensível. Para uns somos gentis e tranquilos, para outros somos impetuosos e frios. As duas versões de definição alheia são limitadoras e equivocadas, mentirosas para quem faz e para quem as recebe. Que nenhuma das partes acredite nela quando o equívoco eclodir de sua cápsula protetora.
O tempo todo somos adjetivados a partir do que toca ou atinge o outro, e vice-versa. Não digo que somos tudo o que há, mas digo que somos muita coisa, tanta que nem se poderia calcular ou descrever, perceber. Se é para classificar alguém a partir de uma ou duas experiências vividas por você ou por versões dadas por terceiros - o que é ainda mais agravante - aconselho pelo bem de todos nós: classifiquemos com os adjetivos gentis. Quando alguém ouve algo bom sobre si mesmo esse alguém, quem sabe, acredita um pouquinho que seja e passa a ter atitudes que correspondam a esse algo. Sua percepção se volta para o que há de bom em si e nos outros. Educadores aplicam isso, pacificadores aplicam isso, quem deseja construir aplica isso. Julga quem se considera juiz, a palavra final de uma condenação qualquer. Daí a expressão "julgar é fácil", pois não nos damos ao trabalho de calar para perceber, e depois de perceber continuar no silêncio do julgamento. Classifique situações, e isso já abrirá uma gama de opções... mas nunca classifique alguém. Ninguém é tão bom e poderoso assim, e quanto mais se acreditar que se pode fazer isso, menor o julgador estará na escala à qual considera-se no topo mais alto.
Deixo aqui um trecho do diálogo entre Paul Ekman, um psicólogo especialista em emoções conhecido mundialmente e o Dalai Lama.

Primeiro, o monge budista Dalai Lama:

"Temos mais de 6 bilhões de pessoas neste planeta, cada uma com as próprias diferenças e características e estados mentais únicos. Seia muito difícil tentar obter uma compreensão abrangente da natureza das emoções que fosse universalmente aplicável e que também de alguma forma explicasse a individualidade de cada um de nós."

E Paul Ekman:

.""O ódio e outras emoções bloqueia o acesso às próprias memórias...faz você esteriotipar as pessoas"

ESTOU VOLTANDO... AOS POUCOS... BEM DEVAGAR... ESPERANDO VIR ALGUMA PALAVRA NOVA...